Com muita alegria, a Associação Brasileira de Flautistas (ABRAF) está promovendo seu XXI Festival Internacional de Flautistas em homenagem à flautista e professora Odette Ernest Dias, que será realizado em Brasília (DF), de 30 de outubro a 1º de novembro de 2026, na Escola de Música de Brasília.
Atuando há 32 anos, a ABRAF tem como principais finalidades reunir flautistas brasileiros e estrangeiros — estudantes, profissionais e amadores —, incentivar o estudo e o ensino da flauta no país, catalogar e divulgar o repertório brasileiro para o instrumento e promover eventos artísticos, pedagógicos e científicos. Também busca valorizar e preservar a história da flauta no Brasil por meio de publicações, gravações e produções audiovisuais.
Nesta XXI edição de seus festivais internacionais, a ABRAF prestará uma justa homenagem à flautista e professora Odette Ernest Dias, falecida em dezembro de 2025, aos 96 anos, sendo Sócia Honorária da associação criada pelo flautista e professor Celso Woltzenlogel em 1994.
Detentora de um currículo de grande relevância para a história da flauta transversal no Brasil, Odette era francesa e formada no Conservatório de Paris, na classe de Gaston Crunelle, também professor de Jean-Pierre Rampal. Naturalizada brasileira, teve uma importante participação na formação de um número significativo de flautistas no Brasil — tanto no universo popular quanto no erudito — desde sua chegada, em 1952, para integrar a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), a convite do maestro Eleazar de Carvalho.
Odette atuou na OSB até 1969 e fez parte da Orquestra Sinfônica Nacional, das rádios Mayrink Veiga e Nacional e da TV Globo, além de ter participado de inúmeras gravações com artistas da música popular brasileira. Nessa época, também lecionou no Conservatório Brasileiro de Música e nos Seminários de Música Pró-Arte, no Rio de Janeiro.
Em 1974, foi convidada a integrar o corpo docente da Universidade de Brasília, onde se tornou professora titular por notório saber, atuando como professora de flauta, estética e musicologia até 1994. Ali, formou numerosos alunos, caracterizados pela diversidade de suas atuações como flautistas e pela comunhão de pensamento e atuação como professores.
Embora frequentemente lembrada por seu vínculo com o choro e pela participação na consolidação do Clube do Choro de Brasília, Odette teve uma atuação que abrangeu diferentes gêneros, sempre dedicada à música brasileira e à interpretação musical.
Na Universidade de Brasília, atuou como professora, pesquisadora e intérprete de referência de compositores brasileiros. Participou ainda da fundação do Grupo Experimental de Música da UnB, ao lado de Jorge Antunes, e integrou o Quinteto de Sopros da instituição.
Odette também promoveu encontros musicológicos, participou como professora convidada de vários Festivais de Inverno da UFMG, Festival de Campos do Jordão, entre outros, foi professora visitante na Universidade do Texas (Austin / USA), pesquisadora pelo CNPq e consultora ad hoc do CNPq e CAPES. Deixou importantes contribuições em publicações e gravações (LPs e CDs), com destaque para seu livro sobre o flautista belga Mathieu-André Reichert, Afinidades Brasileiras, e para as parcerias com Elza Kazuko Gushiken, Bridget Moura Castro, seu filho Jaime Ernest Dias, o baterista e percussionista argentino Roberto Rutigliano e seu neto Lourenço Vasconcelos, entre outros.
Como professora, é possível afirmar que Odette, por meio do confronto entre vivências, fez surgir instrumentistas e músicos desvinculados de modelos preestabelecidos, guiados pelas próprias referências: flautistas com personalidades e identidades próprias, consolidando uma “escola”.
Assim, a ABRAF, orgulhosamente, presta homenagem à flautista e professora Marie Thérèse Odette Ernest Dias, por sua brilhante atuação como flautista e professora, por suas qualidades como ser humano e pelo legado que deixou na história da flauta transversal no Brasil.
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