ABRAF

    Há pessoas que não apenas passam pela música — tornam-se parte dela. Odette Ernest Dias foi uma dessas presenças raras, cuja vida se confundiu com os próprios gestos: não apenas tocar, mas ensinar, compartilhar, escutar, acolher e abrir caminhos.

    Nascida em Paris, formada no rigor e na tradição do Conservatoire de Paris, Odette chegou ao Brasil trazendo muito mais do que técnica e repertório. Trouxe curiosidade, sensibilidade e um profundo respeito pela cultura musical que encontrou. Ao se estabelecer no país, escolheu não apenas tocar o Brasil, mas pertencer a ele.

    Flautista de excelência, atuou em orquestras, grupos de câmara e projetos que marcaram gerações. Sua atuação artística foi sempre guiada por um compromisso profundo com a música enquanto linguagem viva, em diálogo constante com a história, o presente e as pessoas ao seu redor.

    Como professora e formadora, seu impacto tornou-se imensurável. Na Universidade de Brasília e em tantos outros espaços de ensino, Odette ensinou flauta — e ensinou, sobretudo, a escutar. Escutar o som, o corpo, o outro, o tempo. Sua pedagogia unia rigor e afeto, exigência e generosidade, formando músicos atentos, sensíveis e conscientes de seu papel artístico e humano.

    Pesquisadora incansável, dedicou-se ao estudo da música brasileira, contribuindo de maneira decisiva para o reconhecimento e a valorização do choro e de seus protagonistas. Seu trabalho acadêmico ajudou a consolidar pontes entre tradição oral, pesquisa musicológica e ensino formal, ampliando horizontes para gerações de músicos e pesquisadores.

    Esse compromisso com a música brasileira também se materializou em suas gravações, que permanecem como testemunho sonoro de sua escuta refinada e de sua atuação artística. Ao longo de sua trajetória, Odette participou e realizou registros fonográficos que dialogam diretamente com o choro, a música de câmara e a valorização do repertório brasileiro, deixando uma discografia que segue sendo referência para estudantes, intérpretes e pesquisadores.

    Não por acaso, sua casa tornou-se espaço de encontro e partilha, dando origem ao Clube do Choro de Brasília, hoje referência nacional e patrimônio cultural. Ali, como em tantos outros contextos, Odette cultivou algo essencial: a música como experiência coletiva, como escuta mútua, como gesto de convivência.

    Odette não separava arte e vida. Sua generosidade transbordava na relação com alunos, colegas, amigos e familiares. Muitos dos que hoje ensinam, pesquisam e tocam flauta no Brasil carregam, conscientemente ou não, marcas dessa generosidade e da confiança no potencial do outro.

    Ao longo de sua trajetória, recebeu prêmios, títulos e reconhecimentos que atestam a importância de sua contribuição. Ainda assim, seu maior legado está nos sons que continuam a ecoar: nos palcos, nas salas de aula, nas rodas de choro e nas flautas que seguem soando Brasil afora, com técnica, destreza e sensibilidade.

 

    A Associação Brasileira de Flautistas (ABRAF) se despede de Odette Ernest Dias com profunda gratidão e respeito. Ao homenagear sua memória, reafirmamos nosso compromisso com aquilo que ela nos ensinou — não apenas sobre flauta, mas sobre humanidade e a paixão em viver.

Que seu sopro siga vivo.
No som.
No silêncio.
E em todos nós.


Referências

  • Wikipedia
    Disponível em:
    Odette Ernest Dias

  • Discografia
    Disponível em:
    Discos do Brasil

  • Clube do Choro de Brasília
    História e memória do Clube do Choro de Brasília, fundado a partir dos encontros musicais promovidos por Odette Ernest Dias.
    https://clubedochoro.com.br

  • Universidade de Brasília (UnB)
    Registros institucionais e memória da atuação de Odette Ernest Dias como professora e formadora no Departamento de Música.M. A. Reichert: um flautista belga na corte do Rio de Janeiro

  • Imprensa cultural (consultas gerais)
    Reportagens e matérias publicadas sobre a trajetória artística, pedagógica e cultural de Odette Ernest Dias em veículos da imprensa brasileira.

  • Depoimentos e memória oral
    Relatos de alunos, colegas, pesquisadores e flautistas que conviveram com Odette Ernest Dias, reunidos pela Associação Brasileira de Flautistas (ABRAF).


Observação editorial

Este texto foi elaborado a partir de fontes públicas, registros históricos e da memória coletiva da comunidade musical, em especial de flautistas, alunos e pesquisadores impactados pela trajetória de Odette Ernest Dias.

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